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Para mães e pais 
em fase de crescimento.

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Ninhos do Brasil + Carochinha Editora: Ninhos do Brasil se uniu à Carochinha Editora, selecionando histórias que auxiliam nas questões enfrentadas em diferentes fases. Confira!

Como a escuta ativa pode ajudar na alimentação do seu filho?

Carol Albuquerque CA
sex, 06/05/2022 - 16:04
Mãe e filha estão na cozinha, em frente ao balcão que está repleto de comidas sendo cortadas. A mãe segura dois tomates na frente dos olhos da filha, ambas estão sorrindo.

Olá, sou Carol Albuquerque, nutricionista materno-infantil e mãe do Mateus e do Vini, de 8 e 23 anos, respectivamente. Agora, também sou Embaixadora no Portal Ninhos do Brasil, onde vou falar sobre alimentação, como mãe e como profissional.

Você deve ter reparado que a diferença de idade entre meus meninos é enorme, o que me fez vivenciar a maternidade de formas muito diferentes. Com isso, percebo quanta informação valiosa e quantos assuntos importantes discutimos hoje que nos auxiliam com nossos filhos. A escuta ativa é um desses temas. 

Gostaria muito de ter conhecido a prática lá nos anos 90, quando meu primeiro filho nasceu. Mas enfim: somos mães e pais em fase de crescimento, e assim seguimos, não é? Hoje busco praticar a escuta ativa com meus filhos e com as famílias que chegam ao consultório. É um aprendizado para a vida. 

A importância da escuta ativa na rotina alimentar

Ao falarmos de escuta ativa, tratamos da importância de escutar de verdade, de sair do piloto automático. É evitar aquelas respostas imediatas, sem pensar, ou até mesmo o silêncio (aquele de quem está distraíd@ no celular rsrs). Em vez disso, é tentar exercitar o poder da empatia e procurar compreender, acolher e validar os sentimentos dos pequenos por meio de uma educação respeitosa.

E isso tem tudo a ver com rotina alimentar. O que mais recebo no consultório são famílias de “cabelo em pé”, desesperadas e extremamente preocupadas, tentando descobrir o que fazer para melhorar a alimentação dos seus filhos. Seletividade alimentar, sobrepeso e obesidade, dúvidas que surgem ainda na introdução alimentar, são algumas das questões que chegam a mim. E muitas das respostas estão nas próprias crianças: basta exercitar a escuta ativa. 

Escutar além das palavras

Mas como realizar uma escuta ativa com as crianças que ainda nem iniciaram o processo da fala?

Cada criança tem sua própria personalidade, maneira de pensar, sentir e se expressar. E isso acontece o tempo todo: em suas reações, brincadeiras, sorrisos, olhares, escolhas, teimosias, dores, choros. Crianças falam através de birras, piadas, agressões ou silêncio.

A escuta ativa, portanto, vai muito além de ouvir palavras. É observar, e aqui entra a observação também dos hábitos alimentares. O ato de comer é extremamente complexo e inclui não só os sinais fisiológicos de fome e saciedade (quando estamos satisfeitos e não precisamos comer mais), mas também nossas emoções. 

O que os hábitos alimentares falam

Quem nunca comeu por ansiedade, tédio, mágoa ou recompensa? É só lembrar daquele chocolate na TPM, ou daquele balde de pipoca no cinema. Com as crianças, não é diferente: elas também relacionam seus sentimentos ao momento das refeições.

Essa escuta ativa, que vai além da fala, pode começar a ser exercitada por nós, adultos. Muitas vezes, estamos tão desconectados dos sinais emitidos por nós mesmos e das nossas emoções que não percebemos o quanto isso afeta nossas escolhas alimentares.

Ficar atento aos sinais fisiológicos de fome e de saciedade, além de validar os
sentimentos e situações que possam levar a comer – ora muito, ora menos do que o
necessário, ora alimentos com baixa qualidade nutricional – são formas de praticar a atenção, não só com os pequenos, mas também com nós mesmos. 

Não é tarefa fácil, mas é um exercício de autoconhecimento importante para adultos e crianças.

Quem alimenta e quem é alimentado: é preciso alinhar as expectativas

A pessoa que oferece o alimento influencia diretamente quem é alimentado. Não só pelas escolhas e pelo exemplo, mas pela qualidade da interação.

A cultura enraizada de querer ver os pequenos comerem de tudo “até limpar o prato” contribui para que os sinais, tão fundamentais, passem despercebidos, prejudicando o tão desejado sucesso da rotina alimentar a longo prazo.

E aqui é importante alinhar as próprias expectativas, já que, muitas vezes, elas serão quebradas. Precisamos manter a calma e a atenção.

"Escute” os sinais de fome e saciedade do bebê

O que podemos observar nas crianças ao praticar uma escuta ativa? Existe uma estimativa de comportamento alimentar que nos guia nesse processo. Mas vale lembrar: cada criança se desenvolve de forma única, portanto, a demonstração desses sinais de fome e saciedade podem variar! Feito o lembre, sigamos com as referências:

Bebês de 6 meses 
Quando estão com fome, choram, se aproximam da colher, abrem a boca e pegam na mão de quem está oferecendo o alimento; ao passo que, quando saciados, fazem o oposto, ou seja, empurram a colher/mão de quem está oferecendo o alimento, fecham a boca, viram a cabeça e o corpo e choram por ficarem impacientes e sem interesse.

Bebês de 7 e 8 meses 
Quando estão com fome, se aproximam do alimento, pegando-o por conta própria, ou apontam para o alimento que está sendo oferecido; quando saciados, tendem a comer de forma mais lenta, deixam o alimento parado na boca ao invés de engolir, fecham a boca e chegam até a empurrar o alimento oferecido.

Bebês de 9 a 11 meses 
Quando estão com fome, se animam ao ver o alimento, apontam para ele e, por conta própria, tentam pegar e levar à boca; ao passo que, quando saciados, fazem o mesmo que nos 7 e 8 meses de idade (descrito acima).

Bebês de 1 e 2 anos
Quando estão com fome, procuram expressar sua vontade específica através de palavras e gestos, conduzindo o adulto até o local onde ficam os alimentos e tentando apontar para o que desejam; quando saciados, procuram dizer de alguma maneira que não querem mais, passam a brincar com os alimentos, tentam sair da mesa e, por vezes, chegam a jogar o alimento para fora do prato.

Escutar ativamente é também respeitar

Converse com a criança e pergunte se a fome, no momento da alimentação, é “de leão” ou “de formiguinha”, se a barriga está “roncando” ou doendo: com isso, você a ajuda a reconhecer os próprios sinais!

Rotineiramente, as famílias ficam confusas quando a criança diz “não gosto” para um alimento que faz parte da rotina alimentar e acabam insistindo muito para que ela volte a comer. Às vezes, o “não gosto”, na verdade, quer dizer “não quero”, e está tudo bem. O importante é que esse alimento continue a fazer parte do cardápio sem pressão para que a criança coma.

Tente sempre manter a neutralidade frente aos sinais, não demonstre decepção
nem force/insista para que a criança coma.

É difícil, eu sei – mas busque trabalhar suas expectativas e peça ajuda de um profissional sempre que precisar! Agora que você já aprendeu um pouco mais, que tal praticar a escuta ativa também na rotina alimentar dos seus pequenos e fazer desse momento mais um tempo de qualidade entre vocês?

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