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Ninhos do Brasil + Carochinha Editora: Ninhos do Brasil se uniu à Carochinha Editora, selecionando histórias que auxiliam nas questões enfrentadas em diferentes fases. Confira!

Quais são os 4 estágios de Piaget? Entenda fases do desenvolvimento cognitivo

Ninhos do Brasil NB
qua, 21/04/2021 - 11:28
Mãe e filha brincam com blocos de montar para favorecer o desenvolvimento infantil.

O desenvolvimento infantil às vezes surpreende pela velocidade com que acontece. Mas ele normalmente segue uma sequência: você sabe quais são os quatro estágios de Piaget? 

Um belo dia, seu filho de 3 ou 4 anos pega o controle remoto e escolhe sozinho o desenho favorito na TV. “Como ele aprendeu a fazer isso?”, você se pergunta. E é bem possível que essa surpresa se repita muitas vezes, já que eles não param de aprender – mesmo quando não estão sendo formalmente ensinados.

Situação dois: essa mesma criança, tão esperta e tagarela, não entende quando você tenta explicar o alfabeto, que B com A, faz BA. Por quê?

Em resumo: como as crianças aprendem? 

Essa pergunta deu origem a diversas teorias da aprendizagem e do desenvolvimento infantil. Filósofos, professores, pedagogos, psicopedagogos, médicos e psicólogos estudam a fundo a cognição das crianças até hoje.

Mães e pais não precisam virar especialistas em teorias do desenvolvimento e da aprendizagem. Porém, entender alguns conceitos ajuda na compreensão do desenvolvimento dos nossos filhos e também na conversa com a escola. 

“É importante para aqueles que lidam de alguma forma com um ‘ser em formação’ buscar compreender o processo do desenvolvimento humano, e isso vale para os pais também”, afirma a psicopedagoga Monique Gonçalves.

A mais famosa das teorias do desenvolvimento cognitivo foi desenvolvida pelo biólogo suíço Jean Piaget (1896-1980). 

Para Piaget, o aprendizado é construído pela criança durante sua relação com objetos e pessoas. Essa ideia é a base da teoria chamada construtivismo.

Cada nova descoberta é assimilada e acomodada junto ao que a criança já conhecia do mundo, tornando-o cada vez mais amplo. Gradualmente, as relações se formam e as coisas começam a fazer sentido na cabeça da criança.

As “ferramentas mentais” para essa construção mudam conforme a faixa etária e também conforme o ambiente e os estímulos. Assim, o desenvolvimento cognitivo começa desde o nascimento e se divide em 4 estágios principais: sensorial, simbólico, concreto e formal. Esses são, portanto, os 4 estágios de Piaget. Vamos entender melhor cada um deles?

Os 4 estágios do desenvolvimento cognitivo infantil segundo Piaget

Infografico mostrando os 4 estágios do desenvolvimento infantil

Estágio sensório-motor (0 a 2 anos): 

Nessa fase, as crianças aprendem testando seus próprios reflexos e movimentos, desenvolvendo a percepção do próprio corpo e dos objetos. O entendimento do mundo se dá por experimentação e interação com o mundo à volta. 

Sabe aquela mania de levar tudo até a boca? E de jogar as coisas no chão? São formas de construir conhecimento nessa fase!

Estágio pré-operacional ou simbólico (2 a 7 anos): 

Quando começam a dominar a linguagem e os nossos símbolos de comunicação, começam também a imitar, representar, imaginar e classificar. 

Nessa fase, por exemplo, a palavra carro já pode gerar a imagem mental de um carro, mesmo que não tenha nenhum na sua frente.

A criança ainda é egocêntrica (se vê no centro de tudo e entende o mundo a partir da sua própria vivência) e não tem a capacidade de se colocar no lugar dos outros. Esse é um longo processo! 

Faz parte dessa visão egocêntrica achar que a natureza e os objetos agem de forma independente. Se tropeçou, diz que a calçada é a culpada e não ela própria. Xinga o brinquedo por ter “se” estragado, ou responde um sincero “não fui eu, foi a minha mão!”. Também pode confundir realidade e fantasia e ainda ter dificuldade de distinguir certo e errado.

Brincar de faz de conta, de comidinha, de criar histórias e desenhar fazem parte do aprendizado nessa fase.

Estágio operatório-concreto (7 a 11/12 anos): 

O egocentrismo diminui e a criança passa a ter maior capacidade de se colocar no lugar do outro e entender conceitos morais de certo e errado por volta dos 7 anos.

Nessa fase, as crianças apresentam maior capacidade de pensar soluções mentais para problemas reais. As informações que receberam até aqui começam a se conectar num raciocínio mais lógico, que considera vários aspectos ao mesmo tempo. 

Conseguem estabelecer relações e agrupar objetos ou símbolos por semelhança ou diferença. Nesse processo, começa a alfabetização: a letra se liga a um som, e o “plim” acontece. Outros aprendizados se constroem a partir da observação das coisas e pela tentativa e erro.

Um exemplo clássico é a compreensão de que dois copos com diâmetros diferentes – um cheio e outro até a metade – podem ter a mesma quantidade de líquido. É a noção de espaço e volume se consolidando!

As operações matemáticas vão ficando cada vez mais complexas: se no início precisam de objetos concretos para somar ou subtrair, em pouco tempo já conseguem fazer operações com grandes números. 

Estágio operatório-formal (a partir de 12 anos): 

Aqui, a capacidade cognitiva é muito próxima da dos adultos. O adolescente consegue fazer deduções e trabalhar com hipóteses mais elaboradas a partir do pensamento lógico e também do abstrato. 

Começa a entender teorias, doutrinas e conceitos, sendo capaz de fazer leituras críticas do mundo ao redor (e também criticar muito os pais!). Esse processo reforça a vontade de independência e autonomia, enfim, de assumir suas opiniões, personalidade e posição no mundo!

Como estimular o desenvolvimento infantil?

Saber o que esperar de cada fase não significa esperar passivamente a formação das estruturas mentais acontecer. 

Um dos nossos papéis como mães e pais, e também da escola, é apresentar o mundo, um ambiente que estimule perguntas para que elas possam construir o próprio conhecimento.

Vamos voltar lá no início do texto, quando falamos de uma criança de 3/4 anos. Como ela aprendeu a mexer no controle remoto? Observando e testando! Percebeu que você fazia isso, apertou muitos botões errados até descobrir o certo para assistir ao seu desenho favorito. 

O importante para estimular o desenvolvimento infantil é oferecer um ambiente afetuoso, seguro e com mais coisas interessantes além da TV para ela explorar, testar e descobrir. Crianças são curiosas e amam aprender!

Algumas crianças até podem desenvolver o interesse e o aprendizado das letras antes do tempo, mas não há motivos para acelerar o processo ou pular etapas, se isso não conversa com os interesses dela. 

Se ela já acompanha uma história e já tenta contar do seu jeito com apoio das ilustrações, ela está num ótimo caminho de desenvolvimento. 

Como estimular os 4 estágios de Piaget para o desenvolvimento infantil?

Seguindo os conceitos apresentados por Piaget, podemos estimular o desenvolvimento infantil por meio de algumas atividades. 

Durante o estágio sensório-motor (entre 0 e 2 anos), as atividades que mais estimulam as crianças são aquelas que envolvem movimentos e o processo da ação. Sons, sensações, tato e a movimentação corporal chamam muito a atenção dos pequenos. Por isso, brincadeiras envolvendo dança, música e instrumentos musicais com os pais são uma boa opção.

Entre 2 e 7 anos, na fase pré-operacional, a imaginação está fluindo como nunca. Criação de histórias e brincadeiras de faz de conta, transformando objetos, usando fantoches e fantasias, estimulam o desenvolvimento infantil. Teatro e desenho são atividades recomendadas para essa fase. 

Na janela entre 7 e 12 anos, atividades que estejam mais relacionadas à lógica e ao pensamento são bem-vindas. As artes ainda são recomendadas, mas passatempos como xadrez e jogos de tabuleiro mais complexos ajudam no desenvolvimento cognitivo. 

Para os mais velhos, acima dos 12 anos, os estímulos ideais são aqueles que os ajudam a se expressar: dança, atividades físicas em grupo e cursos mais complexos de música, teatro e desenho, por exemplo. 

E o desenvolvimento infantil em situações de isolamento?

Quando vemos as crianças brincando juntas com os colegas, fica claro o quanto uma aprende com a outra. Elas pegam a mania de falar como o amigo fala, descobrem novos gostos – “o fulano me falou de um jogo bem legal, posso baixar? – e aprendem a ter empatia ao se preocuparem com os amigos. 

Mas e as crianças na pandemia? Longe da escola, com aulas virtuais, as crianças podem perder um pouco do contato com essas experiências e aprendizados. Primeiro, é preciso lembrar que é uma fase: não sabemos bem quando, mas uma hora eles vão poder brincar juntos de novo. 

A partir daí, vale tentar dar estímulos de outra forma em casa: montando uma videochamada com os colegas do seu filho, lendo histórias sobre empatia e companheirismo, brincando junto em família, conversando e mais. 

O mais importante é se manter unido – e protegido – para enfrentar essa fase e dar apoio à criança! 

Agora que já conhecemos um pouco de cada fase, conseguimos entender melhor não só a explicação da professora na reunião, mas também o que está acontecendo na cabeça dos nossos filhos. 

E, se você ainda tiver dúvidas se o desenvolvimento está aquém ou além, não hesite em procurar uma ajuda profissional, conversar na escola ou com um profissional de psicopedagogia. Eles saberão dar dicas de como você pode estimular o melhor de cada fase.

O que fazer quando há atraso nos 4 estágios de Piaget e no desenvolvimento infantil?

O desenvolvimento infantil é um processo contínuo e, segundo Piaget, os quatro estágios são parte natural do nosso crescimento. Caso seu filho esteja atrasado em comparação aos colegas de classe ou aos irmãos, entenda que as crianças não têm um tempo cronometrado para o desenvolvimento. 

Porém, fique atento a dificuldades e atrasos visíveis em algumas áreas, como comunicação e motricidade. Nesse caso, o ideal é buscar ajuda do pediatra e conversar com os professores. Eles saberão orientar onde procurar auxílio.

Saiba mais: estágios de Piaget do desenvolvimento moral

Você sabia que, como parte de seus estudos, Piaget também considerou que o desenvolvimento infantil cognitivo está diretamente relacionado ao desenvolvimento moral? E também este pode ser dividido em diferentes estágios. 

Estágio pré-moral (0-5 anos)

Nessa fase inicial, as crianças têm pouca ou nenhuma compreensão de regras e normas sociais ou comportamentais. É nesse período que a criança está vendo tudo pela primeira vez e ainda não sabe diferenciar o certo do errado. Com o passar do tempo, ela começa a entender melhor o que pode ou não fazer, por exemplo. 

Estágio de realismo moral (6-9 anos)

Aqui, regras já estão estabelecidas, e os adultos são figuras de autoridade. A criança já entende melhor o que é certo e errado, e as normas parecem inflexíveis, baseadas em uma dualidade direta: o bom contra o mal, o que podemos e o que não podemos fazer. 

Nessa fase, as crianças passam a julgar suas ações baseadas nas consequências diretas estabelecidas, não tanto pelas intenções. Enquanto adultos conseguem enxergar as nuances e os contextos de cada caso, para elas, fazer algo errado sempre gerará uma mesma punição proporcional.

Estágio de relativismo moral ou moralidade autônoma (acima de 10 anos)

A partir dos 10 anos, a criança já consegue compreender melhor todos os lados de uma história. É claro que ela não tem a mesma maturidade emocional para lidar com problemas do que um adulto. Mas é nessa janela temporal que elas passam a entender que as regras variam: as normas mudam de acordo com as circunstâncias, das intenções por trás das ações etc. 

De modo geral, esse estágio apresenta a moralidade como algo relativo e adaptável. Não só isso, mas a percepção do coletivo também ganha força no desenvolvimento moral. Segundo Piaget, as crianças aprendem a ter senso crítico e a avaliar as regras com base na cooperação dos outros e no respeito mútuo. 

Na prática, isso significa que as crianças já passam a aceitar ou não determinadas normas com base no todo. Se aquela regra é justa em comparação com o tratamento recebido pelos irmãos ou se o adulto impondo a norma é alguém confiável, por exemplo. 

Uma vez que a criança atingiu esse estágio e ela consegue “se colocar no lugar de outra pessoa”, enxergando o lado dela em uma determinada situação. E o desenvolvimento moral está completo. 

Ah, você sabia? Além de pesquisas científicas e estudos, a observação do desenvolvimento dos três filhos também foi fundamental para o desenvolvimento da teoria de Piaget. 

Conte para nós: o que você também aprendeu observando seus filhos? Acesse nossa rede de carinho para compartilhar a experiência

A psicopedagoga Monique Gonçalves explica o porquê não precisamos ter pressa na alfabetização. E ainda lista brincadeiras da infância que ajudam a preparar a criança para esse momento. confira: