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Ninhos do Brasil + Carochinha Editora: Ninhos do Brasil se uniu à Carochinha Editora, selecionando histórias que auxiliam nas questões enfrentadas em diferentes fases. Confira!

“Não quero!” O que é a seletividade alimentar infantil?

Ninhos do Brasil NB
sex, 30/07/2021 - 10:30
A seletividade alimentar é ilustrada pela foto de uma mãe tentando dar um tomate com um garfo para a sua criança, que está sentada em seu colo. A criança está de olhos e boca fechada, se negando a comer.

Aquela recusa constante pode não ser questão de ser “chato para comer”, mas de seletividade alimentar. Você já ouviu falar?

Se ultimamente você percebeu em seu filho uma redução no apetite, desinteresse pelos alimentos, recusa e agitação no momento de comer, pode ser que ele esteja passando por isso.

Apesar de ser uma necessidade, comer da forma correta é um hábito ensinado. Se uma criança não se sente confortável em frente a determinados alimentos, é preciso investigar o motivo com o pediatra.  

Vamos entender melhor sobre o assunto?

Seletividade alimentar ou preferência por outros sabores?

Para não confundir, é importante entender a diferença entre os dois conceitos.

“A seletividade alimentar é caracterizada por uma ingestão menor de alimentos, padrão alimentar monótono, seleção de alimentos por características específicas; enquanto na preferência alimentar a criança não apresenta dificuldade em consumir os alimentos, mas demonstra interesse maior por determinadas preparações, sem evitar o consumo de alimentos oferecidos no cotidiano”, explica a nutricionista materno-infantil Dra. Mônica Assunção.

O que pode causar a seletividade alimentar infantil?  

Não existe resposta certa que explique a causa da seletividade alimentar infantil. Isso vai depender muito de cada caso, da experiência e do organismo de cada criança. Mas trouxemos algumas possibilidades – veja abaixo!

Traumas

Pode acontecer da criança engasgar com alimentos mais sólidos e entender que não é capaz de comer novamente, pelo trauma que sofreu. Aqui entram até as experiências de enjoo e refluxo, o que torna ainda mais difícil a relação da criança com o alimento.

Por isso, é importante sempre conversar sobre o gosto de novos alimentos, suas texturas… Esses exercícios ajudam a afastar a seletividade alimentar infantil, além de aproximar pais e mães de seus filhos e filhas!

Associação

Muitas situações podem entrar neste tópico. A criança pode associar o momento de comer ou mesmo alguns alimentos a experiências ruins. Quando, por exemplo, sempre há uma discussão em família na hora da refeição, transformando, na visão dela, em um momento desagradável ou turbulento.

Sendo assim, experiências como obrigação de comer um alimento que não queria e não gostou também podem aumentar a aversão da criança à comida e associar como algo negativo. É importante investigar se isso já aconteceu.

Desenvolvimento

Aqui podem entrar o baixo peso ao nascer, a influência genética e a menor duração do aleitamento materno. Esses diferentes fatores podem ter influência na seletividade alimentar infantil. Portanto, investigue-os com o auxílio de um profissional, se necessário.

Autismo

A alimentação é uma experiência extremamente sensorial. Os alimentos têm cor, sabor, textura e até sons. Esses estímulos sensoriais podem ser perturbadores para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Se a seleção de alimentos é feita por cor, textura, marca, temperatura e se houver outras dificuldades sociais associadas, pode ser sinal de algum nível de transtorno. O melhor a fazer é conversar com o pediatra e investigar.

Hábitos alimentares da família

Segundo a nutricionista Mônica Assunção, “uma alimentação monótona, com pouca variedade de alimentos, a imposição de consumo de grandes volumes, não adequação da consistência dos alimentos ao desenvolvimento fisiológico, podem ser fatores que se associam a seletividade alimentar e ao trauma infantil de que o momento das refeições é algo ruim, onde a sinalização de saciedade não será respeitada pelos seus cuidadores”.

Também conta que famílias que não apresentam um padrão alimentar saudável ou em que há dificuldade alimentar não dão oportunidade à criança de consumir diferentes alimentos e/ou preparações, bem como ingerir uma refeição que seja compatível ao respectivo grau de desenvolvimento fisiológico, considerando quantidade das porções e forma de apresentação do prato.

Leia também: Como a alimentação da família influencia a alimentação da criança? A nutricionista Elaine de Pádua explica.

DE OLHO PARA NÃO CONFUNDIR 👀
Dente nascendo, criança resfriada, dor de garganta, muito sono ou mudança na rotina e/ou ambiente: perceba as circunstâncias. Alguns contextos podem gerar falta de apetite na criança e ao mesmo tempo não terem relação alguma com a seletividade alimentar!

Não gostar de algo é normal, mas a seletividade em excesso pode ser um sinal de alerta

Existem algumas situações em que a seletividade alimentar ou a relação da criança com os alimentos podem servir de alerta para pais e mães. Segundo a Dra Mônica, os pais precisam consultar um pediatra, caso a criança apresente:

  • Prejuízos no crescimento;
  • Redução na diversidade de alimentos consumidos, com ingestão de uma dieta monótona e repetitiva;
  • Desinteresse pelos alimentos;
  • Seleção de alimentos por cor, textura, marca, temperatura;
  • Não consegue ingerir os mesmos alimentos consumidos pela família;
  • Necessita realizar as refeições em ambiente separado dos familiares.

Se o comportamento de recusa alimentar, falta de apetite e agitação na mesa permanecer por mais de 30 dias, é importante buscar ajuda profissional. Assim, você pode evitar que a seletividade alimentar gere outras questões comportamentais no futuro.

Quais profissionais podem ajudar?

Se você notar que a alimentação está sendo um problema maior que o esperado é importante conversar com o pediatra de sua confiança. Dependendo do caso, ele poderá indicar tratamentos auxiliares com nutricionista e fonoaudiólogo, por exemplo.

Com os profissionais de fonoaudiologia será trabalhada a capacidade de mastigação e ingestão dos alimentos. O trabalho paralelo com nutricionista garante as necessidades energéticas e nutricionais da criança – com ou sem suplementação – durante todo o tratamento.


Crescer saudável é importante e, se você chegou até aqui, é porque se preocupa e quer o melhor para seu filho.

Conte sempre com o nosso apoio e rede de carinho 💛

*Atenção: a prescrição de qualquer suplemento nutricional deverá ser realizada de forma individualizada, considerando o estado nutricional infantil e os hábitos alimentares analisados durante a consulta.

Leia também: como estimular as crianças a comerem mais frutas e legumes?

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