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Para mães e pais 
em fase de crescimento.

TDAH e hiperatividade infantil: como identificar e lidar?

Ninhos do Brasil NB
sab, 22/05/2021 - 10:00
Menina sorri enquanto grita algo utilizando um megafone feito de papel enrolado, ilustrando a hiperatividade.

Ritmo acelerado, energia o tempo todo, desatenção e dificuldade de controlar impulsos – será que meu filho é hiperativo? Será só uma característica de personalidade ou estamos falando do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) mesmo? 

Ai, essa dúvida que nos tira tantas noites de sono!

Se, por um lado, temos pessoas não especializadas enchendo nossas cabeças de falsos diagnósticos, por outro, temos também a “turma do deixa disso”, “é só o jeito da criança” – o que também pode atrasar um diagnóstico verdadeiro. Em quem acreditar, afinal? 

Por isso, se a dúvida está martelando na sua cabeça, buscar informação de qualidade e conversar com um médico é o melhor caminho. Que bom que você está aqui! Neste artigo, vamos conversar abertamente sobre essa preocupação.

  • Entendendo a hiperatividade infantil
  • Mas, afinal, o que define uma criança hiperativa?
  • Formas saudáveis de lidar com a hiperatividade infantil

Entendendo o TDAH e a hiperatividade infantil

Que tal descomplicar essa nomenclatura? O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um dos principais distúrbios do neurodesenvolvimento, que afeta crianças, adolescentes e também adultos. A hiperatividade é um dos sintomas, junto com a impulsividade e a dificuldade de atenção.

Estima-se que 3 a 5% das crianças do mundo sofram desse transtorno, que se não tratado, pode afetar o aprendizado, as amizades e relações sociais. Eis o motivo para tanta angústia, afinal, não queremos ver nossos filhos sofrendo, não é mesmo?

Mas, calma, existem formas de tratar e acolher as crianças com TDAH, se esse for mesmo o caso. Tudo é uma questão de aprendizado: para nós e para elas.

Antes de falar sobre alguns sinais que podem servir de alerta, temos um aviso importante: apesar de apresentar sintomas que permitam profissionais a trabalharem com a hipótese de TDAH, o diagnóstico correto só pode ser dado a partir dos 6/7 anos de idade, quando a criança entra em idade escolar.Foto de um garoto com hiperatividade. Ele corre com um cachorro branco na sala de casa.

 

Mas, afinal, quais são os sintomas de TDAH? 

Normalmente, os sintomas de uma criança com TDAH aparecem em mais de um cenário, como em casa e na escola, por exemplo. Além disso, podem existir quadros de TDAH, sendo hiperativo/impulsivo, desatento ou todos juntos.

Vamos ver os sintomas de cada tipo a seguir!


Sinais mais comuns de TDAH

Dentro da hiperatividade, podemos identificar um comportamento mais inquieto, como: 

  • agitação das mãos ou pés quando está sentada;
  • energia demasiada em relação aos demais colegas – como na sala de aula, enquanto todos estão sentados e a criança levanta o tempo todo; 
  • correr e andar rápido demais em situações inapropriadas;
  • dificuldades para brincar com jogos que pedem um ritmo mais lento; 
  • falar muito e ter energia o tempo todo. 

Também podemos perceber sintomas de impulsividade

  • a criança responde a perguntas antes de elas serem completadas;
  • tem dificuldade para aguardar a vez dela;
  • com frequência, a criança interrompe conversas ou brincadeiras de outras pessoas. 

E também falta de atenção

  • deixa de prestar atenção em detalhes durante atividades escolares ou em casa;
  • não consegue manter a atenção em tarefas cotidianas; 
  • aparenta não escutar tudo quando falam com ela; 
  • se distrai muito facilmente; 
  • apresenta dificuldade para concluir o que começa, como lições ou tarefas de casa;
  • não gosta de tarefas que demandam muita atenção, como trabalhos escolares; 
  • parece esquecer de atividades diárias. 

O conjunto desses comportamentos pode indicar a presença de TDAH, ainda acompanhando outros sintomas, que surgem devido à questão, como dificuldade para dormir, problemas de aprendizado e alterações de humor, que também é ligado à forma que a criança interage com seus amigos e colegas.

TDAH é problema de menino? Não necessariamente! Os meninos tendem a apresentar sintomas mais de hiperatividade/impulsividade, enquanto entre as meninas prevalece o déficit de atenção. Como os meninos com esse quadro tendem a incomodar mais, acabam sendo mais diagnosticados do que as meninas.

Comportamentos para ficar de olho

Trouxemos duas situações cotidianas para ficar de olho em como seu filho reage:


Desempenho escolar 

Como explicamos acima, a criança hiperativa pode se distrair facilmente. Isso pode prejudicar seu aprendizado na escola, por ter dificuldade em entender completamente o que é passado, devido à desatenção

Dificuldade para entender instruções 

Não é má vontade ou preguiça! Pode ser o TDAH em ação, já que a criança se distrai facilmente e acaba se perdendo na hora de ouvir e absorver informações – o que pode até ser confundido com o esquecimento do que foi falado.

Formas saudáveis de lidar com crianças com TDAH 

Caso você tenha identificado comportamentos parecidos em seu filho, é fundamental procurar por um diagnóstico profissional – ele é feito por médico neurologista ou psiquiatra, a partir de avaliação clínica e histórico e testes psicológicos. Assim, já reduz a angústia da dúvida e direciona a melhor forma de agir, né?
 
Eventualmente, algum exame de imagem pode ser solicitado para descartar outras doenças com sintomas parecidos.  
 
Se o diagnóstico for confirmado, o médico indicará a melhor forma de tratar. Junto a isso, o apoio e a compreensão da família e da escola será muito importante para criar um ambiente de acolhimento e uma rotina equilibrada, que seja de fácil compreensão para a criança. 
 
Aliás, também a família precisa de apoio nesse momento de tantas dúvidas sobre diagnóstico e tratamentos. Sentimentos como culpa, frustração e medo são comuns entre mães e pais e, muitas vezes, motivos de brigas. 

O ambiente, ou o tipo de educação dada até agora, não é o motivo do transtorno, que é neurobiológico. Por isso, nada de culpa ou acusações! 

Por outro lado, um ambiente harmonioso pode ser o motivo de sucesso no tratamento da criança, que vai ter na família seu porto seguro. Não hesite em procurar um serviço psicológico para juntos encontrarem a melhor forma de lidar com a nova condição e os cuidados que ela requer.
 
A psicopedagoga Monique Gonçalves é especialista na área e tem um filho diagnosticado com TDAH. Ela dá dicas práticas para pais e professores.
 
Dicas para os pais:

  • Conversar bastante com os filhos, dando instruções claras e objetivas, sempre uma por vez
  • Ao invés de cobrar por resultados, conversar sobre empenho 
  • Estimular a independência e a autonomia, pedindo que organize suas tarefas e trabalhos de escola, ou tarefas de casa, como arrumar as próprias roupas uma vez por mês
  • Não sobrecarregar com atividades extracurriculares
  • Tornar a rotina mais clara e ajudar com lembretes: vale agenda, calendário visível, anotações, alarme no celular
  • E, claro, sempre reforçar o que há de melhor em seus filhos

 
Dicas para a escola: 

  • Permitir que o aluno possa se levantar em alguns momentos durante a aula 
  • Instruir de forma objetiva cada etapa das atividades 
  • Oferecer estratégias de organização para o aluno, como por exemplo: agenda, lembretes no celular 
  • Compreender que, muitas vezes, esse aluno pode precisar de um tempo maior para a realização de suas avaliações ou atividades
  • Respeitar o ritmo do aluno para que ele não fique prejudicado em sua aprendizagem

 
Cuide da criança e cuide de você também! Conhecer outras histórias e trocar experiências sobre a melhor forma de lidar com um possível diagnóstico é importante também para acolher os pais. Ninguém está sozinho.
 
E acredite: você também aprenderá a lidar com o tempo das coisas de uma forma diferente. Estamos sempre crescendo juntos!

Conheça a história de Eline e Lucca: como o diagnóstico precoce de TDAH e a educação emocional ajudaram o menino de 9 anos e a família

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