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Para mães e pais 
em fase de crescimento.

O que acontece no cérebro infantil quando gritamos

Flávia Valadares FV
sex, 03/12/2021 - 10:30
Criança com as mãos nos ouvidos mostrando a reação que o cérebro infantil tem quando escuta gritos

No meio do supermercado, seu filho começa a gritar e bater o pé. Desarmado, desapontado e intimidado pelos olhares, você não sabe o que fazer ou dizer para neutralizar essa crise. Levantar a voz não adianta! Quanto mais você grita, menos a criança entende. 

Os bebês e crianças pequenas estão aprendendo a fazer muitas coisas nos primeiros anos: a andar, a falar, ir ao banheiro… e, além disso, estão aprendendo a controlar emoções e sentimentos. 

Elas têm um cérebro subdesenvolvido em termos de crescimento e tendem a funcionar principalmente a partir do sistema primitivo – pense em chorar, gritar, e ter acessos de raiva como formas aceitáveis de comunicar sentimentos.

O cérebro da criança é dominado por suas emoções e recebe tudo sem os filtros que o nosso, adulto, construiu pela experiência e pela maturidade. Ao mesmo tempo, a plasticidade cerebral, caraterística do cérebro em desenvolvimento, garante que a criança seja uma verdadeira esponja. Então ela absorve cada palavra, gesto, atitude, e cada situação vivida deixará vestígios se não for bem acompanhada.

Sob o efeito do estresse, a amígdala desencadeia a secreção de cortisol e adrenalina, que são muito tóxicas quando presentes em grandes quantidades no cérebro imaturo de crianças pequenas, pois elas não têm capacidade de avaliar a situação. 

Só um adulto pode pensar consigo mesmo e reavaliar uma situação para implementar estratégias; a criança não tem essa capacidade. O grito é ineficiente e perigoso para a saúde mental das crianças e para o comportamento relacionado à disciplina.

Gritos não geram disciplina

O que os gritos provocam é medo, essa é a verdade. Quando seu filho está no meio de uma birra, de um colapso ou uma explosão, esse é um sinal óbvio de que ele está lutando com emoções que ele não consegue controlar. O cérebro de uma criança ainda não fez as conexões necessárias para entender por que você tomou uma decisão, ela não entende suas razões.

Sua filha não consegue entender seus motivos para não comprar um brinquedo para ela, então ela fica angustiada quando a expectativa não é atendida. Ela vai lutar! Vai se jogar no chão, vai bater com as mãos no chão e vai gritar alto com você.

Crianças não são adultos em miniatura – seus cérebros em crescimento são, na verdade, incapazes de assumir uma perspectiva adulta sobre uma situação e usar esse conhecimento para se acalmar.

Então os colapsos emocionais não são manipulações fabricadas, não se trata de falta de educação, você não está errando, não é sua culpa e a criança não está te manipulando. A “birra” de uma criança opera em um nível de instinto. Ela está se protegendo!

Como lidar com um ataque de birra, então?

Esse não é o momento de ensinar nada, a criança não vai conseguir assimilar seja lá o que você estiver explicando. Esse é o momento de acolher as emoções que ela está sentindo. É o momento de você se conectar com ela.

Quando seu filho está no meio de uma explosão, pode ser difícil se sentir conectado a ele. Também pode ser tentador pular diretamente para a parte da disciplina. Isso não vai fazer o comportamento inadequado parar.

A conexão é a etapa essencial para mudar o comportamento dele. Você pode se perguntar "e como faço para me conectar com meu filho quando ele está em modo de birra?".

7 dicas para se conectar com uma criança durante uma birra 

Primeiro, pare de pensar sobre o que aconteceu no passado ou o que vai acontecer no futuro e procure o que está por trás do comportamento agora. 

Um adulto e uma criança que estão com raiva estão quase conversando um contra o outro. Você, adulto, tem que lidar com sua raiva primeiro. Comece perguntando a si mesmo: o que a criança está tentando me comunicar? E em seguida, você pode seguir as dicas abaixo:

  • Conforte seu filho
  • Fique no nível dos olhos dele e diga: como posso te ajudar?
  • Dê a ele um toque de amor e ofereça: você quer um abraço?
  • Olhe para ele de uma forma carinhosa e empática
  • Valide as emoções do seu filho
  • Reconheça e nomeie seus sentimentos, ensinando: “filho, você está com raiva, quando você estiver mais calmo, nós vamos conversar”.
  • Ouça as preocupações e desejos do seu filho, não dê sermões: se a criança se jogou no chão, desce ao nível dela e diga: “venha, filho, eu vou te ajudar…”

Depois que ela se sentir ouvida e você a ajudar a controlar suas emoções, você pode redirecionar o comportamento: “vamos fazer outra atividade?” Reflita: você quer obter a cooperação ou submissão dos seus filhos?

A ideia principal aqui é refletir sobre como dar o exemplo para os pequenos. É interessante desenvolver essa atitude a partir de uma lógica não violenta, que comece com nossas próprias ações, de forma que influenciem a criança em seu desenvolvimento a longo prazo.

Agir de maneira agressiva não é benéfico para nenhum dos envolvidos, pois não gera reflexões ou ensinamentos, somente afasta e machuca, dando continuidade a um ciclo de hostilidade. É importante nos expressarmos sem raiva e com compreensão, de forma que a criança aprenda a conviver em harmonia com os outros, respeitando todos a seu redor. Esse é o início de um processo de amadurecimento que tende a transformá-la em um pessoa empática e bem desenvolvida. 

Este texto foi útil para você? Já teve algum problema com agressividade infantil? Tem medo de que sua criança se torne um adulto agressivo? A Flávia falou sobre essa temática em um texto anterior. Leia aqui:

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