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Para mães e pais 
em fase de crescimento.

Nossa forma de falar afeta as habilidades sociais da criança

Flávia Valadares FV
qui, 30/09/2021 - 10:30
Em uma escola, duas mulheres adultas, uma em pé e uma agachada, conversam calmamente com uma criança que está em pé de mochila nas costas. Essa imagem representa o desenvolvimento de habilidade sociais na infância, como a comunicação.

Os humanos são criaturas sociais, programadas para se conectar com outras pessoas. Aprender a conviver e a se adaptar às diversas situações da vida faz parte do desenvolvimento.

Como o que estou fazendo ou dizendo afeta a outra pessoa? Pensar sobre isso faz parte do que chamamos de habilidades sociais.

Saber se comunicar de forma eficaz, interagir com outras pessoas, expressar e gerenciar emoções, seguir instruções, colaborar com o outro, saber gerir o estresse, ter empatia e saber ouvir são alguns exemplos de competências que o ser humano aprende desde criança.

Qual é a importância social do desenvolvimento de habilidades sociais?

As primeiras habilidades sociais que as crianças aprendem são adquiridas observando os adultos ao seu redor. Pense em como seria a vida sem essas habilidades. E se as crianças não esperassem sua vez? E se as pessoas pegassem as coisas das mãos dos outros sem qualquer aviso? E se as pessoas mentissem para conseguir o que querem? E se as crianças fizessem o que bem desejassem?

 

As habilidades sociais dos pais afetam as dos filhos

Os pais estão na melhor posição para ajudar as crianças a construírem essas habilidades fundamentais para conviver em sociedade. Como você resolve conflitos ou comunica desejos? Principalmente: como você se comunica com seus filhos? Reunimos algumas dicas para que seu exemplo seja o melhor professor.

Encoraje a criança Seu filho deve saber que você não espera perfeição.

Os erros são normais e com eles aprendemos o que deu certo ou errado. Quando as crianças sabem que todo ser humano aprende as lições dessa maneira, será muito mais fácil superar a frustração diante de um erro.

Você será sempre um porto seguro que a criança pode acessar quando precisar, quando cometer um erro.

Saiba ouvir e se comunicar

Ao considerar a questão de como você interage com seu filho diariamente, imagine um registro dessas interações, como se fosse um filme desses momentos.

Sua voz soaria paciente e amorosa? Você parece empenhada e interessada no que seu filho estava dizendo? Você estava dando total atenção a ele?

Se a resposta para alguma dessas perguntas for NÃO, pense no que você pode fazer para modificar a forma de se comunicar com seu filho.

Sua voz é dura, impaciente ou irritada quando você está falando com seu filho sobre algo que ele fez de errado?

O tom permanece zangado mesmo que ele não tenha feito nada de errado? É importante pensar no tom de voz que você usa e prestar muita atenção em como você pode suavizar seu tom quando fala com seu filho, especialmente quando estiver corrigindo um problema de comportamento.

Pense na maneira como você dá orientações

Quando você fizer uma orientação ou algum pedido, pergunte se eles ouviram. Se eles ouvirem corretamente, você pode continuar com a famosa técnica da "falsa escolha". Por exemplo, você pode dizer algo como: "Filho, você prefere calçar seus sapatos azuis ou pretos?”, “Você prefere arrumar seu quarto agora ou depois de tomar seu banho?”

Esta técnica é geralmente muito eficaz. Fazer perguntas pode amenizar a situação. Afinal, ter que obedecer a muitas ordens o dia todo é muito desagradável para qualquer pessoa, não importa a idade!

Imagine alguém te dizendo “Coloque seu casaco, agora!” ou “Você não vai sair sem escovar seus dentes!” ou ainda, “Só vai para cama depois de tomar banho, ouviu?”.

Conduza os limites com empatia

Antes de dizer “não”, tente se conectar com o que seu filho está sentindo ou tentando fazer. Assim você ativa o que há de mais poderoso nas interações humanas: a sintonia.

Sintonia significa deixar a outra pessoa saber que você entende.

Em vez de "não" o tempo todo, é importante que a comunicação seja expressa de forma positiva, como: "Eu te entendo. Vejo o que você está tentando fazer. Vou definir e manter um limite, mas entendo o que você está sentindo".

Outro bom exemplo é: “Eu entendo que você queria ficar brincando mais tempo, está divertido, né? Vamos ficar mais 5 minutos e depois ir pra casa. Combinado? Lá vamos tomar banho, jantar e brincar um pouco mais. O que você vai preferir? Montar um quebra-cabeça ou ler um livro?”

Observando seu jeito de comunicar necessidades, opiniões e resolver conflitos, a criança aprende a lidar com seus próprios desafios (na escola, no parquinho, na vida) e vai desenvolvendo um repertório cada vez mais completo de habilidades sociais. E prepare-se: ela vai usar com você também!

A realidade é que as habilidades sociais que as crianças adquirem na primeira infância – por meio dos processos lentos e simples de brincar e interagir, se envolver com suas famílias e prestar atenção ao mundo ao seu redor – serão a base para outras habilidades que elas dominarão na vida adulta.

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