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Bullying: como identificá-lo e como lidar?

Ninhos do Brasil NB
qui, 06/01/2022 - 10:30
Descrição da Imagem: Uma criança estende a mão aberta para a câmera, um dos símbolos da luta contra o bullying nas escolas.

Apesar de ser um termo relativamente recente, o bullying tem sido uma preocupação bem comum entre pais e educadores. 

As crianças crescem e, quando começam a passar algum tempo na escola, na casa dos amigos, nas áreas comuns do prédio, longe da nossa visão, é inevitável se questionar: “será que está tudo bem? As outras crianças estão tratando meu filho com carinho? Será que existe a chance de ele ou ela estar sofrendo bullying?”.

É angustiante pensar que aquela criança que cuidamos com tanto amor pode estar sendo ofendida, seja por sua altura, cor, peso, jeito de falar ou andar, personalidade... ou até sem motivo nenhum. É também agoniante imaginar que ela pode estar ofendendo alguém sem que a gente sequer imagine!

Infelizmente, o bullying está muito presente na socialização das crianças e jovens. Inclusive, não é nada novo: ele existe há várias gerações, só não tinha um termo que o classificasse.

Então não tem jeito: precisamos falar sobre o bullying. Além disso, para combater o problema, é necessário saber como identificá-lo! 

Vamos aprender mais sobre esse problema que afeta tanto as crianças e adolescentes?

O que é o bullying? 

Muito mais que apenas uma “brincadeira” ou “zoação”, o bullying compreende todas as formas de atitudes agressivas que:

  • Sejam realizadas de forma voluntária e repetitiva
  • Ocorram sem motivação evidente
  • Possam causar dor e angústia
  • Sejam realizadas em uma relação desigual de poder

Para muitos, os comportamentos classificados como bullying são apenas “coisa da idade”. Mas não é bem assim: eles podem causar danos a curto e longo prazo no desenvolvimento da criança e do adolescente. 

O bullying é um problema muito grave sobre o qual as vítimas frequentemente se sentem inseguras de conversar ou denunciar. 

Como identificar se uma criança está sofrendo bullying?

Para conseguir combater o bullying, primeiro é preciso aprender a identificar quando ele está acontecendo. 

Crianças e adolescentes vítimas de bullying apresentam diversos sinais de sofrimento nas atitudes e até mesmo na aparência. Alguns desses sinais estão:

  • Medo ou perda de vontade de ir para a escola
  • Queda do desempenho escolar
  • Tristeza e irritabilidade
  • Isolamento 
  • Perda de apetite
  • Preferência da companhia de adultos 

Qualquer mudança brusca no comportamento da criança/adolescente pode ser um sinal de alerta. 

Bullying é crime? 

O bullying, como terminologia própria, não é considerado crime, por não ser previsto por lei. Nesse sentido, não existe um um dispositivo penal específico para tratar sobre o bullying.

Porém, ações associadas ao bullying – essas, sim, previstas por lei – podem ser consideradas crime, como lesão corporal e danos morais.

Resumindo: o bullying, nominalmente, não é crime, mas ele é constituído por práticas que podem ser assim consideradas. 

Tipos de bullying

O bullying é um tipo de violência que se expressa em diversos âmbitos e de várias formas. Confira oito tipos de bullying:

Bullying verbal

Bullying verbal é o tipo mais comum, principalmente em ambientes escolares. Neste, são englobados xingamentos, apelidos e provocações. 

Bullying físico

O bullying físico é menos comum que o verbal. Ele vai desde beliscões até agressões mais graves como socos, chutes e uso de objetos que possam ferir a vítima. 

Bullying escrito

Bullying escrito é quando uma pessoa se utiliza de bilhetes, cartas, pichações... qualquer material escrito (que não seja virtual) para ameaçar, humilhar ou provocar a vítima.

Cyberbullying

Cyberbullying é quando o bullying ocorre virtualmente, e pode tomar inúmeras formas: divulgação de fotos e vídeos, posts, e-mails. Esse é o tipo mais falado atualmente, pois se dissemina de forma rápida, extrapolando a bolha social da criança e do adolescente. 

Bullying social 

Bullying social é o ato de espalhar mentiras e rumores sobre a vítima, a excluindo ou promovendo sua exclusão.

Bullying moral

Parecido com o social, esse tipo de bullying é expresso através de difamação, calúnia ou uso dos trejeitos e características da personalidade da vítima como formas de intimidá-la. 

Bullying psicológico

O bullying psicológico é aquele que parece invisível, não assume uma forma física, mas sutil, como ameaças, intimidação, manipulação e chantagem. 

O que causa o bullying? 

É difícil determinar uma causa única para o bullying, pois ele é multifatorial. Por parte do “agressor”, várias coisas podem estimulá-lo a ter uma postura violenta: uma relação familiar que naturaliza a violência e que o faça se sentir intimidado, inseguranças pessoais, ter sofrido bullying anteriormente, entre tantas outras. 

Essas crianças vêem nas mais tímidas, ou com características que elas consideram “inferiores”, uma forma de conseguir reafirmar controle naquele ciclo social. 

Quais são as consequências do bullying? 

As consequências do bullying são muitas e podem ser percebidas de imediato ou a longo prazo.

Para a vítima, a principal consequência a curto prazo é o isolamento. Ele é causado não só pela própria insegurança sobre sua imagem, mas pelo medo das demais crianças de também sofrerem.

Esse isolamento, somado a problemas de autoimagem e de autoconfiança, causam sérios prejuízos a longo prazo, principalmente à saúde mental. Crianças que são vítimas de bullying podem ter queda de desempenho escolar e desenvolver condições como ansiedade ou depressão. 

Porém, não são apenas as vítimas que podem ter danos no desenvolvimento social. Os agressores podem passar a entender a violência como uma forma legítima de se colocar em destaque e de se autoafirmar em sociedade. 

Como combater o bullying?

Não existe uma fórmula correta para combater o bullying, mas uma união de forças entre família e escola para isso. Cada um desses agentes tem papel protagonista na luta contra esse tipo de violência 

Combate ao bullying dentro de casa

O principal papel da família, nesse caso, é repassar valores morais e éticos para as crianças. É importante que ela cresça em um ambiente em que práticas violentas sejam desencorajadas e que as diferenças sejam respeitadas. 

Ao perceber que seu filho pode ser uma vítima de bullying, é de extrema importância que você construa um ambiente seguro para que ele possa falar sobre isso sem medo.

Mas e se você descobrir que sua criança está fazendo bullying com outras pessoas? Isso também é triste e o diálogo é necessário. O melhor a se fazer, em vez de acusá-la ou castigá-la, é tentar entender e descobrir os motivos por trás desse comportamento.

Combate ao bullying dentro da escola


A escola é um dos principais locais onde ocorre o bullying. Por isso, é inegável o papel dos educadores e gestores de instituição de ensino na luta contra o bullying.

Estimular o respeito à diversidade é uma das principais formas de prevenir o bullying. Quando a criança é muito nova, essa conversa pode ocorrer na sala de aula através de dinâmicas e brincadeiras. Para crianças mais velhas e adolescentes, palestras e rodas de conversa podem ser de grande proveito.

Caso seja identificado um caso de bullying, melhor do que tomar alguma ação punitiva, é compreender o que aconteceu e adotar medidas que envolvam todos os envolvidos. 

  • Com a criança que está fazendo bullying: vale a pena pesquisar a história e dinâmica familiar do aluno agressor. Ao identificar algo que possa estar provocando o comportamento violento, é pertinente uma ação conjunta com a família para sanar esses problemas.
  • Com a criança que está sofrendo bullying: deve-se acolher a criança e procurar entender o que está acontecendo desde o primeiro momento. Também é importante entrar em contato com a família e acolhê-la, pois o sofrimento também se estende a ela. O diálogo com familiares é essencial para que juntos possam criar estratégias para minimizar os impactos negativos na vida da criança.

Bullying no Brasil: principais desafios 

Segundo a Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem 2018, os ambientes escolares brasileiros têm uma incidência duas vezes maior de casos de bullying que a média mundial. 

Analisando o sistema público de educação, podemos perceber a intensificação do problema devido à frequente precarização de escolas. A falta de corpo docente e de estrutura psicopedagógica muitas vezes impossibilita que as escolas tratem pessoalmente casos de bullying.

Leia também:

4 filmes sobre bullying para assistir com os filhos

A ficção é uma boa aliada na hora de falar sobre assuntos difíceis.. Sentar no sofá de casa e assistir um filme com os filhos pode estimular o diálogo, facilitando a conscientização. Por isso, separamos algumas dicas de filmes que falam sobre bullying.

Extraordinário

O filme fala sobre a jornada de Auggie, uma criança que nasceu com uma condição genética que o fez precisar fazer diversas cirurgias no rosto. Ao fazer 10 anos, ele deve passar a frequentar uma escola regular. Com isso, diversos desafios surgem em sua vida. 

Ponte para Terabítia 

Acompanhe a jornada mágica de Jess, um garoto que não consegue se enturmar, e Lesli, a novata que passava por algo muito parecido. Juntos, os dois descobrem um mundo mágico onde podem fugir de valentões e até mesmo de suas famílias. 

As Vantagens de Ser Invisível

Esse filme é aconselhado para famílias com adolescentes. Charlie é um adolescente tímido que muda de escola e tem dificuldade de se enturmar. No entanto, ele conhece Sam e Patrick, um casal de irmãos que o “adotam” e passam a viver aventuras juntos. O filme trata de assuntos como bullying, orientação sexual, depressão e a importância de você ter um grupo de apoio ao seu redor. 

Meninas Malvadas

Outro filme para os mais velhos. Meninas Malvadas é um clássico dos anos 2000. Essa comédia conquistou diversas gerações de adolescentes por ser uma sátira absurda porém precisa da vida no ensino médio. O filme acompanha Kady, uma aluna transferida de outro país, que, tentando se enturmar, termina se infiltrando no grupo das meninas populares – e malvadas – da escola. 


E o respeito entre pais e mães diversos? Falamos mais sobre isso na matéria: