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Ninhos do Brasil + Carochinha Editora: Ninhos do Brasil se uniu à Carochinha Editora, selecionando histórias que auxiliam nas questões enfrentadas em diferentes fases. Confira!

Transtorno alimentar infantil: como identificar?

Ninhos do Brasil NB
seg, 06/06/2022 - 10:00
Uma criança com calça jeans dobrada até o joelho se pesa em uma balança digital. Atrás, há uma cortina branca de voil. A foto faz alusão ao tema de transtorno alimentar infantil.

Não é assunto só de adulto: infelizmente, o transtorno alimentar infantil também é uma realidade.  

Uns comem demais, outros não aceitam quase nada e há ainda quem, desde muito novo, já tenha transtornos com a própria imagem. E sabemos o quanto é preocupante perceber que existe algo de errado na relação das crianças com os alimentos – “Como prosseguir? O que devo fazer para não piorar a situação?” 

Já falamos sobre seletividade alimentar aqui: o famoso “isso eu não quero”, “não como nada verde” – diferenciando quando é só uma fase de quando é algo que merece mais atenção.

Neste texto, vamos listar outros transtornos alimentares que podem aparecer na infância, como identificar os sintomas e o que você pode fazer para ajudar a criança.

Vamos lá?

O que é transtorno alimentar infantil? Dica: não é frescura!

Transtornos alimentares são alterações no comportamento alimentar que podem ter causas psicológicas e consequências físicas. Por isso, um olhar integral para a saúde da criança se torna ainda mais essencial. O que faz a criança comer demais ou de menos?

Distúrbio alimentar infantil é diferente de transtorno alimentar: 

Apesar de muitas vezes serem usados como sinônimos, os distúrbios alimentares estão mais ligados a questões fisiológicas do que psicológicas. Ou seja, podem estar associados a questões do sistema nervoso central – como a hipersensibilidade, comum em pessoas com autismo.

Transtorno alimentar infantil: quais são os principais?

Seja por preocupações estéticas ou por estresse, alguns transtornos alimentares começam a se manifestar desde a infância e adolescência. 

Os transtornos mais comuns nessas fases são: anorexia nervosa, bulimia nervosa, compulsão alimentar e transtorno alimentar restritivo evitativo.

 Anorexia nervosa

Mais comum entre adolescentes, a anorexia nervosa também já foi relatada em crianças pré-puberdade. A principal característica é se achar acima do peso (mesmo estando abaixo ou dentro dele) e ter medo intenso de engordar.

As principais consequências da anorexia nervosa infantil são: perda excessiva de peso e de massa muscular, desaceleração do metabolismo, sensação de estufamento, desnutrição, desidratação, alteração no ritmo cardíaco, alterações hormonais e suspensão da menstruação. Em casos mais graves, pode levar à insuficiência renal e até à morte.

Bulimia nervosa

A bulimia é mais frequente em adolescentes do que em crianças. Ela alterna momentos de compulsão alimentar e tentativas de compensação ou eliminação para não engordar. Como possíveis causas a investigar estão a pressão estética, distúrbios de imagem e o estresse que leva à compulsão.

A bulimia pode ter várias complicações clínicas: os vômitos provocados e uso frequente de laxantes podem levar à perda de minerais como sódio e potássio, e, consequentemente, a arritmias cardíacas. O excesso de laxantes pode provocar também a dependência do intestino. O ácido que volta do estômago no vômito pode ainda causar problemas no sistema digestivo, desde complicações na saúde bucal até gastrite e úlcera.

Compulsão alimentar

Muitas vezes associada a problemas de autoestima e ansiedade, a compulsão alimentar pode aparecer ainda na infância. As principais características são o consumo de grandes quantidades de alimento em pouco tempo (principalmente doces e carboidratos simples), o sentimento de culpa em relação à comida e o costume de comer escondido.

Depois de comer muito, é comum que a criança ou adolescente se sinta estufada, desconfortável. Além disso, ela pode manifestar tristeza ou vergonha depois de ter comido tanto.

O comportamento pede atenção especial por estar associado ao aumento do colesterol e dos triglicerídeos e à hipertensão arterial. O excesso de carboidratos pode sobrecarregar o pâncreas e aumenta o risco de obesidade e diabetes.

O Transtorno Alimentar Restritivo Evitativo (TARE) 

O TARE é uma intensa falta de interesse pela alimentação, que vai além da simples falta de apetite. Envolve a recusa de alimentos ou a aceitação de apenas um grupo muito restrito, como “só come arroz, feijão e macarrão”. 

Ele é comum em idade pré-escolar, mas também pode persistir em crianças mais velhas. Os principais sinais de alerta são a perda de peso e o atraso de crescimento em crianças, provocado pela deficiência nutricional.

Leia também: Recusa alimentar, neofobia ou seletividade?

Como tratar transtorno alimentar infantil?

Ao perceber qualquer sintoma, é sempre importante conversar com o pediatra para que ele indique o tratamento mais adequado. Em muitos casos, é feito um tratamento interdisciplinar, envolvendo nutricionistas, psicólogos e a medicina clínica. 

O olhar integral é importante para verificar os impactos na saúde física, mas também cuidar das variantes emocionais que envolvem a relação com a comida e com a imagem. Em São Paulo, o Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo tem um Núcleo de Atenção a Transtornos Alimentares (Proata), onde são realizados atendimentos a famílias pelo SUS.

Como evitar transtorno alimentar infantil

Sabemos que a pressão estética está em muitos lugares – na escola, na mídia, na rua. Mas uma boa relação da família com a alimentação e com a aparência corporal é uma das formas mais eficientes de fortalecer a autoestima das crianças. Afinal, somos o primeiro exemplo!

Reunimos algumas dicas dos profissionais do Proata para ajudar a minimizar o risco de desenvolver transtornos alimentares:

  1. Evitar comentários pejorativos a respeito do peso de alguém ou ao seu mesmo, como “eu estou enorme” ou “fulana está uma baleia”, na frente da criança.
  2. Da mesma forma, não criticar a forma física da criança, como "essa roupa te deixa gorda".
  3. Não elogiar alguém por ter emagrecido – seja na frente de seus filhos ou de modo geral.
  4. Buscar uma alimentação saudável, com alimentos variados e quantidades moderadas, mas sem restrições (exceto por questões de saúde). Isso porque a criança que vê os familiares sempre de dieta pode passar a reproduzir essa preocupação.
  5. Alimentação é um momento prazeroso. Portanto, se notar que a relação com a comida está gerando culpa, nojo ou qualquer outra emoção fora do normal, converse com o médico e busque ajuda. Cuidar das nossas emoções em relação à comida também é cuidar da saúde da família toda. 

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